16 de jan. de 2012

Bloco Profusão

Fórum:
Toda experiência criativa envolve, como vimos, um fluxo constante entre ordem e desordem.

Observe e analise a obra de J. Carlos, procurando refletir sobre o seu uso do espaço e da linguagem gráfica, sobre os elementos, ritmos e acentos visuais envolvidos na composição.
Neste fórum, debata com seus colegas a dinâmica entre ordem e desordem nesse trabalho: como os seus diversos elementos produzem e tensionam as duas sensações?

Resposta:
   Na obra de J. Carlos uma única palavra pode concentrar toda a sua força poética e informativa: a liberdade. É no caminho da liberdade que esse artista constrói a sua vida e a sua obra por meio de três vias condutoras. A arte, o design e o jornalismo formam o triângulo propulsor de uma obra desafiadora que encanta diferentes receptores de várias épocas com a riqueza de aspectos estéticos, plásticos e denotativos.

   Nos anos 20, enquanto a carreira de J. Carlos decolava, o Rio de Janeiro foi muito influenciado pelos modelos culturais franceses. O Art Noveau seguido do Art Déco caracterizaram as influências estéticas do início do século XX vindas da França. J. Carlos absolveu as influências dos dois movimentos europeus, imprimindo em seu trabalho, entretanto, uma espécie de tempero brasileiro, particularmente carioca. Sua obra é marcada pela leveza de seu traço preciso e sintético. Essa síntese pode ser uma das características mais modernas de seu trabalho por conseguir a exatidão com o mínimo que a linha oferece e, muitas vezes, apenas com o preto da tinta e o branco do papel. Figura e fundo, forma e vazio complementam-se de maneira exemplar num possível diálogo entre o dito e o não dito.

   Ao utilizar a cor, principalmente nas capas de revistas, o faz sem exageros. A cor é utilizada complementando a força do traço, com delicadeza. As capas de Para Todos, por exemplo, demonstram o seu domínio e conhecimento em relação à utilização das cores. Segundo Herman Lima (1950), seu traço possui muita afinidade com os ilustradores franceses Gavarni e Charles Hérouard.

   A profusão é um efeito ou técnica visual notadamente presente nos estilos gótico, barroco e art deco (pautada pelo ecletismo e mistura de vários outros estilos). Também na decoração, peças gráficas, alegorias e adereço das escolas de samba. De acordo com o simbolismo empregado realça a forma, volume, plano, contraste, ordem, desordem, e faz interagir os vários elementos e valores representacionais, primado pela técnica e o estilo. Está presente principalmente em configurações extravagantes e agregados informativos. Normalmente comunica enredo, tendência e emaranhado à procura de um clímax ou arrebatação, fruto da abundância.

   A capa da revista Para Todos, remete a um outro aspecto da profusão: o barroco. Pois ela é também uma técnica utilizada para o enriquecimento visual que está associada às questões de poder e riqueza. Também ao embelezamento e a orientação. A composição de J. Carlos ressalta estas qualidades da profusão. Pois o poder está com ela, e dela brota o apelo visual, usando o próprio nome da revista. Por extensão, para todos os olhares, admiradores. A imagem lembra uma ala da escola de samba. A cor preta na parte de baixo é o elemento visual para o restante das figuras tendo como base a mulher. O contexto da escala a relação tamanho e sua dinâmica, amplia o conhecimento da visualização, pois a aglutinação é feita com medidas e tamanhos proporcionais na primeira fila de homens, seguindo da desampliação, tornando mais evidente a mulher e a primeira coluna masculina. A desordem e a tensão estabelecida na parte de cima da imagem é sustentada pela cor preta e a figura dela, eixo vital de toda composição gráfica. Utilizando quase todo espaço da página, enfatiza um abandono da realidade em favor do mundo da fantasia, a exuberância da imagem sugere o desejo e o sonho.

   J. Carlos é um artista em sintonia com a sua época e com o seu momento histórico.



Referências:

José Aloise Bahia. Revista Germina. Belo Horizonte/MG. março, 2010. (Link: http://www.germinaliteratura.com.br/)

Fragmentação

Fórum:  pense exemplos de linearidade e descontinuidade na televisão e discuta os seus diferentes sentidos.


Texto:
   Segundo Manuel Castells a história da digitalização e o desenvolvimento de computadores e redes fizeram as novas tecnologias da informação começaram a difundir-se, durante o final da década de 70, acelerando seu desenvolvimento sinérgico e convergindo em um novo paradigma. Fazendo com que a mídia tradicional – como TV, o rádio e mídia impressa – começa-se a se deparar com mídias emergentes dotadas de um diferente suporte, implicando em uma nova maneira de produção e transmissão, bem como de participação e integração do público.


   Lúcia Santaella nos diz que esta nova era que ela qualifica como hipermidiática, engloba um universo fluído e sempre mutável e as infinitas conexões que ele possibilita: na hipermídia, o texto, o desenho, os gráficos, os diagramas, os mapas, as fotos, os vídeos, as imagens geradas computacionalmente, e o som e os ruídos mesclam-se em hiper-sintaxes híbridas e sem fronteiras definidas.

   O termo hipertexto foi definido por Theodor Nelson, nos anos 70, para descrever um sistema de escrita não seqüencial: um texto que se desmembra e permite escolhas ao leitor. Mais tarde, ele expandiu a noção para hipermídia para descrever uma nova forma de mídia que utiliza o poder do computador para arquivar, recuperar e distribuir informação na forma de figuras gráficas, texto, animação, áudio e vídeo.

   Devemos perceber as transformações profundas que estão ocorrendo em várias áreas da atual sociedade: o surgimento de um poderoso mercado global de mídia e bens culturais; inovações tecnológicas que aceleram esse processo e distribuem rapidamente informação para qualquer lugar do mundo; o marketing e a publicidade globalizados, que reforçam marcas e vendem produtos da mesma maneira para vários países e o surgimento de novas maneiras do homem relacionar-se, a necessidade urgente de novos modos de compreender o mundo.

   Esta não linearidade e descontinuidade são levadas ao extremo nas mídias digitais emergentes, que nos dão a capacidade de acessar qualquer ponto randômico e , então, facilmente saltar para outro, sejam esses pontos páginas de um processador de texto, informações em um disco ou outro recurso de arquivamento, ou mundos digitais localizados em qualquer lugar do universo ligado na internet e naquilo que passou a ser designado como ciberespaço.

   Massimo Felice nos diz que: na época da comunicação sem fio, os novos meios de comunicação tiveram a importante função social de resignificar as distância e também passaram a reproduzir identidades e lugares artificiais, estendendo à subjetividade e às paisagens a mesma condição dada à obra de arte.

   A mídia televisiva escancara a descontinuidade: cada programa é periodicamente interrompido para abrir espaço para os comerciais e, conseqüentemente, o sentido tem que ser veiculado em blocos, de modo fragmentário.

   A descontinuidade, a interrupção, a fragmentação são características da linguagem televisual, a tal ponto que estão previstas nos próprios roteiros ficcionais. O acoplamento da TV ao computador faz prever mais mudanças nesse quadro, por hora, no entanto, a linguagem televisual se caracteriza por uma tensa modulação entre os momentos de suspensão do sentido, de invasão dos sentidos diversos, de reatamento do sentido interrompido. Para fazer frente a tantas invasões e interrupções, o texto televisual preserva fortes regularidades de gênero e principalmente formato, sendo os mais consagrados dentro da tradição ficcional da TV: as séries, miniséries, especiais e as telenovelas. Por mais que alguns programas televisivos tentem manter uma linearidade como os seriados e as novelas no final eles acabam apresentando uma descontinuidade por estarem fragmentados em blocos.

 

Referência:

Balogh, Ana Maria. O discurso ficcional na TV: Sedução e Sonho em doses Homeopáticas. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2002.

O tempo e os tempos na fotografia

No texto O tempo e os tempos na fotografia, Dante Gastaldoni comenta as várias dimensões temporais da fotografia.

Vamos refletir mais sobre uma delas, segundo a qual uma foto seria um “fragmento de tempo”, ou seja, o recorte de um instante no fluxo da experiência, o momento preciso de inscrição da luz no “click”. Toda obra tem um tempo de produção, ao qual se somam os diversos tempos de sua fruição – todas as artes visuais podem ser pensadas a partir de suas dimensões temporais. Enquanto algumas obras lidam com um tempo instantâneo, outras lidam com um tempo dilatado. Quando são produzidas, algumas obras isolam, outras sintetizam e outras combinam momentos; na fruição, podem envolver o espectador em diferentes tipos de duração.
No bloco Movimento, os trabalhos de Gustave Le Gray, Gaetano Pescee Robert Smithson e, no bloco Leveza, os trabalhos de Claude Monet, René Clair e Mira Schendel colocam a questão, cada um a seu modo.
Analise as diferentes relações desses trabalhos com o tempo e os sentidos que eles lhe atribuem.


Texto: O Tempo


   O tempo se apresenta de várias formas, por isso acima de tudo é relativo. No texto O tempo e os tempos na fotografia de Dante Gastaldoni, mostra a busca incessante pelo aperfeiçoamento e a interdependência entre a formação do fotografo e o valor da sua produção, a repercussão dos trabalhos principalmente de Henri Cartier Bresson e Sebastião Salgado ambos de temáticas humanistas, com trabalhos em preto-e-branco, com grande capacidade de produzirem obras inovadoras.
   O processo da fotografia está diretamente relacionado com o processo das artes em geral, elas se impulsionam, transformando o tempo ao seu redor. Quando Le Gray, em 1856, fotografou a Onda, o ato de captar os movimentos das águas do mar de forma tão nítida e fiel revolucionou a fotografia e congelou o tempo no instante da onda do mar, onde bastaram apenas alguns segundos para estar sensibilizado e menos ainda para sensibilizar o olhar do observador.
   No início, era necessário que o objeto fotografado permanecesse imóvel, como se estivesse congelado, agora começava uma nova fase onde o objeto era imobilizado numa fração de segundos.
   Sendo o movimento a alteração da posição espacial no Pier de Robert Smithson, o movimento que a obra exige é o deslocamento espacial temporal, exigindo a participação física do observador, apesar de uma obra estática o observador precisa estar em movimento. Diferente de Saint-Lazare de Claude Monet, onde o tempo foi congelado.
   Em Ent’acte de René Claire, transformou os sentidos, e permitiu que o tempo corresse livremente, pois o cinema nos traz essa liberdade, mesmo que sejam fotos seqüenciadas nos dão a sensação de movimento, é como se estivesse acontecendo no exato momento em que se observa a obra.
   O Trenzinho de Mira Schendel, feito de frágeis folhas de papel penduradas em um fio, nos remetem a fragilidade do tempo.
   Todos estes artistas modificaram os sentidos das coisas, modificando também as artes em geral e assim transformando o seu tempo, tempo este que também transforma o olhar.

Unidade 1 - Bloco Leveza

Fórum 2:
Leveza é uma sensação normalmente associada às formas delicadas e graciosas, cores claras, movimentos desenvoltos e a tudo o que se ofereça aos sentidos de modo tênue, suave e com certa fragilidade.

A leveza surge para romper com o usual, expandir os horizontes. A leveza de espírito. A leveza como desejo de superar o peso da matéria. A liberdade.
Este link é um vídeo baseado em uma poesia que fala sobre leveza, o nome do video é Leveza (Lightness): http://www.youtube.com/watch?v=nECu_Ad50e4



Sendo a idéia do fórum, escolher um dos três conceitos (abstração, iconoclastia e precariedade) refletir e exemplificar sobre como ele se relaciona com a idéia de liberdade, apesar de saber que alguns artistas usam a precariedade para a liberdade, e tendo lido o depoimento dos colegas e observado como eles aplicaram este conceito, eu, Clevani, não consigo pensar em precariedade para liberdade, tendo em mente o significado de precário. Por isso escolhi o conceito abstração, por remeter a possibilidade de uma experiência mais livre.

UNIDADE 1 - Bloco Movimento

FÓRUM 1:


Este fórum estará aberto durante duas semanas para que a questão proposta ao final da Síntese 1 seja debatida pela turma. Sua contribuição é fundamental.
Pense no Parangolé de Oiticica e no Píer de Smithson e procure refletir sobre as suas possíveis relações com a operação inventada por Duchamp.
Debata: de que modo os materiais, processos e ações envolvidos nos dois trabalhos podem ser remetidos ao readymade?

Aqui neste fórum interessantes questões, pois tentaremos pensar a criação de Oiticica e Smithson, com trabalhos mais contemporâneos, a partir das novas estratégias e possibilidades para a arte estabelecidas por Duchamp.

Resposta:
O que o “Parangolé” de Oiticica e o “Pier em Espiral” de Rober Smithson nos propõe é o deslocamento da experiência do campo intelectual racional, para o da proposição criativa vivencial. E isto só é possível com a radicalização da vivência através da manipulação, do movimento e da utilização plurisensorial da "obra".

Oiticica e Rober Smithson aproximam-se de Marcel Duchamp quando criam uma obra de arte que não é apenas um ato artístico pendurado em um museu. A proposta da "antiarte" consiste em sensibilizar o cotidiano sem pretender impor um padrão estético ou um procedimento técnico

O desejo de uma experiência artística única, intransferível, entra em choque com a instituição da arte, o consumo mercadológico do objeto artístico, o primado da técnica e a emoção "estética".