17 de jan. de 2012

Unidade 8 - Texto

No Módulo I, as obras incluídas no CD-ROM foram estudadas com base em dez conceitos que motivaram nossas análises e nos permitiram propor uma série de interpretações e relações a partir dessas obras. Esses conceitos foram escolhidos por seu interesse metodológico, isto é, porque nos pareceram interessantes e sugestivos de conexões e questões centrais para a produção do período estudado. Mas pelo próprio caráter ilimitado da interpretação e da construção de relações, poderíamos pensar essas mesmas obras a partir de inúmeros outros conceitos, que ajudariam a vê-las de modos, talvez, bem diferentes dos vistos até aqui.
Exercite agora outras possibilidades de análise, tomando como ponto de partida o conceito de “contradição”, mencionado no texto de Washington Lessa. Volte ao texto e reflita sobre o sentido atribuído a esse conceito. Em seguida, vá ao CD-ROM e, utilizando a ferramenta Espaço de Pesquisa, selecione um grupo de cinco a oito obras que, na sua opinião, possam ser relacionadas à “contradição”.
Elabore um texto, com no máximo uma lauda de extensão, sobre as obras que você selecionou, explicando como percebe as relações de cada uma com o conceito, e envie o texto ao tutor.

Texto:

   A arte da estatuária clássica floresceu na Grécia, no século V a.C. quando a representação da figura humana alcançou a perfeição anatômica, com senso de equilíbrio e perfeição. Na arte moderna, artistas vão de encontro com esse ideal de beleza mostrando as figuras humanas com aspectos caóticos, representados pela dor e sofrimento, como a obra Mulher em pé, de Alberto Giacometti, no bloco Distorção.
   No bloco Leveza podemos observar o filme Entr’ act de René Clair que mistura delicadeza e humor corrosivo, com seqüências desconexas em que hora mostra uma bailarina de gestos suaves, hora uma bailarina barbada de formas grotescas, onde o ideal de leveza e gestos femininos é contraposto.
   No bloco Sinuosidade, temos o interior do Hotel Tassel de Victor Horta, onde as curvas passam da estrutura à decoração, exprimem a leveza obtida pela tecnologia moderna e, ao mesmo tempo, dão unidade plástica a todo o espaço construído refletindo o otimismo da época em ruptura ao passado em que prevaleciam interiores pesados, carregados de referência. Ainda no bloco Sinuosidade, com o casaco Fantasio de Paul Pioret ao instituir um modelo solto que libertava o corpo feminino do uso de espartilho.
   No bloco Profusão, com a obra Acumulação de jarras de Arman, mostrando um consumo excessivo e o rápido descarte, utilizando materiais não-artisticos é propondo a reflexão da funcionalidade e da simplicidade. Temas muito debatidos nos dias de hoje, em que falamos de reciclagem e sustentabilidade.
   Estas são algumas das obras que trazem em si o conceito de contradição, de obras que “contrapõe aos ideais modernistas de unidade, clareza, simplicidade e harmonia as categorias de riqueza, ambigüidade, contradição e redundância”, apresentado no texto.

Unidade 8 - Fórum

No panorama histórico traçado em “O Desenvolvimento do Design e a Questão Estética”, fomos levados a perceber o dinamismo da transformação e do surgimento das necessidades humanas. Por lidar com a produção e o suprimento dessas necessidades, o design nos ajuda a pensar os valores sociais predominantes em diferentes épocas.
Segundo Washington Dias Lessa, no século XX revezaram-se condições que ora privilegiaram a objetividade e a racionalidade, ora a subjetividade e a ambigüidade. Vejamos a seguir as duas vertentes do design ressaltadas no texto: uma, de origem construtiva, que objetivou a funcionalidade dos produtos, e outra que, questionando esse paradigma, privilegiou o apelo estilístico.
Na primeira vertente, as exigências para os projetos de design alinharam-se à ênfase industrial na produtividade e na criação de padrões, com uma visão generalizante do consumidor e de suas necessidades. Prevalecia a idéia de que a criação formal dependia de determinações funcionais. Os projetos relacionáveis a essa vertente acompanhavam aperfeiçoamentos artísticos e científicos, ou seja, guiavam-se por modelos ideais, oriundos da arte ou da ciência.
Reflita um pouco mais sobre as duas escolas de cunho racionalista/funcionalista apresentadas no texto: a Bauhaus, mais ligada a um discurso artístico, e a Escola de Ulm, ligada a um discurso científico. Pesquise em livros, na Internet ou em outras fontes à sua disposição as obras do designer Hans Gugelot e do pintor Tomás Maldonado, dois nomes importantes de Ulm, e compare-as com a estética bauhausiana das obras de Walter Gropius, Paul Klee e Wassily Kandinsky, incluídas no CD-ROM.
No exemplo pioneiro da disputa entre a Ford e a General Motors nos anos 1920, a vitória da variedade de modelos da GM sobre a permanência do modelo único da Ford deixou claro que a caracterização estilística, a moda e a obsolescência programada também seriam fatores influentes no projeto de design a partir de então. A segunda vertente do design se define, em grande parte, pelo reconhecimento desses fatores. Além de se exigir qualidade funcional dos projetos, passou-se a exigir também o valor da sedução pela renovação estilística constante e pela segmentação dos mercados: a multiplicação dos modelos para todo tipo de indivíduos, necessidades e bolsos. A opulência dos cromados, das curvas e cores exuberantes se tornou marcante especialmente no design norte-americano do segundo pós-guerra, como mostra o trabalho do designer Raymond Loewy, que redesenhou a garrafa de Coca-Cola, entre outros projetos famosos. Procure se informar sobre a obra de Loewy pesquisando imagens e textos sobre ele.
Para o autor, a tendência atual nos projetos de design é que os paradigmas das duas vertentes não se excluam, mas se equacionem à questão estética, juntamente com uma série de outros fatores específicos dos tipos de produto e público em foco. Será que essa também não poderia ser uma afirmação válida para qualquer campo de criação visual? De fato, como temos visto, todo profissional de criação deveria poder realizar, a seu modo, essa equação.
Se tomarmos como exemplo o filme de Sergei Eisenstein incluído no bloco Fragmentação, perceberemos que os seus sofisticados recursos de construção temporal não prejudicam a função do filme como reconstituição de acontecimentos históricos. Se voltarmos às roupas criadas por Rudi Gernreich, incluídas no bloco Geometria, também notaremos a integração da funcionalidade com o estilo. E no caso dos designers brasileiros irmãos Campana, cuja obra aparece no bloco Fragmentação, como você avaliaria essa equação? Faça uma pesquisa sobre a obra da dupla, na Internet ou em outros materiais, e reflita sobre a noção de “poética autoral” que Washington Dias Lessa atribui ao trabalho deles.
Neste fórum debata com seus colegas a respeito da “questão estética” na poética autoral dos irmãos Campana.
Para complementar o debate tragam uma pequena pesquisa sobre os percursores do design no Brasil que são Alexandre Wollner e Geraldo de Barros e sobre a Escola Superior de Desenho Industrial - ESDI no Rio de Janeiro.


Resposta:

A Hochschule für Gestaltung Ulm é considerada a mais significativa tentativa de estabelecer uma ligação com os pioneiros do design alemão. Foi sucessora da Bauhaus por seus métodos de ensino, disciplinas lecionadas, ideais políticos e por também acreditar que o design tinha um importante papel social a desempenhar.
Na Escola de Ulm, que prometia continuar a obra didática da Bauhaus, desenvolveram-se vários conceitos importantes do design do pós-guerra. Ao lado de Aicher, foram o suíço Max Bill e o italiano Tomas Maldonado que moldaram esta instituição.
A Hochschule für Gestaltung Ulm foi fundada em 1953 por Inge Aicher-Scholl, Otl Aicher, Max Bill, entre outros.
Procurando seguir a realidade do pós-guerra, o conceito e o programa da HGF foi uma reformulação das intenções professadas na Bauhaus. Aicher, Maldonado, Gugelot e Zeischegg, professores da nova geração, previam um design também apoiado na ciência e na tecnologia.
Alexandre Wollner tornou-se designer depois de se formar HFG de Ulm. Entre os seus trabalhos estão as identidades visuais da Eucatex, Ultragaz, Escriba, Sanitsta, Brasilit, Infoglobo, entre muitas outras.
De regresso ao Brasil, iniciou em fins de 1958, com Geraldo de Barros, Rubem Martins e Walter Macedo, o primeiro escritório brasileiro de design: FormInform — responsável por pioneiros projetos de identidade visual de empresas brasileiras.
Em 1962, com Aloísio Magalhães (1927-1982), iniciou um curso de Tipografia no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ).
Esta experiência originou a criação da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) no Rio de Janeiro, em 1963 — marco histórico para a profissionalização do design no Brasil. A ESDI seguia a filosofia de ensino de Ulm.
Falando em grandes nomes do designer, não podemos deixar de mencionar Raymond Loewy, considerado como gênio das aparências, pioneiro do desenho industrial que criou as formas mais marcantes deste século e símbolos conhecidos no mundo inteiro. Suas obras ajudaram a fazer o retrato dos tempos modernos. Foi esse francês naturalizado americano, quem criou a forma branca, maciça e sem pés que se tornou sinônimo de geladeira; o emblema de um garfo e uma faca cruzados que indica restaurante nas estradas; o primeiro modelo de automóvel de passeio de linhas aerodinâmicas; a concha que no mundo inteiro identifica a Shell; uma profusão de eletrodomésticos, materiais de escritório, máquinas fotográficas, ônibus, enfim, até uma nave espacial.
Voltando a falar sobre designers brasileiros, observamos no trabalho dos irmãos Campana a profunda relação com os materiais – geralmente prosaicos – retransformados em produtos de grande valor agregado. O conceito de identidade compreende uma construção simbólica que se dá invariavelmente, em relação a um "outro". Assim, a identificação pode surgir de fora para dentro. É por meio dos significados produzidos pelas representações que damos sentido à nossa experiência e àquilo que somos. Portanto, considera-se indispensável a conceituação de identidade quando se fala em design, design nacional ou local.

Unidade 7 - texto


No Módulo I, estudamos as obras incluídas no CD-ROM a partir de suas relações com dez conceitos. Esses conceitos nos ajudaram a perceber alguns aspectos importantes nessas obras, como questões estéticas, vínculos com o contexto histórico e significados culturais, e nos permitiram refletir sobre possíveis relações entre trabalhos bem distintos entre si, como peças de vestuário, pinturas e cadeiras. Mas, como vimos desde o começo do curso, todos os objetos e imagens podem ser experimentados e compreendidos sob inúmeros pontos de vista, portanto podem relacionar-se a conceitos e significados diversos.    Muitas são as obras que vimos no primeiro módulo, nas quais podem seguir uma idéias, mas não pertencerem ao mesmo bloco temático, nesta proposta escolhi o conceito da Geometria, que representa a vontade do homem em copiar a natureza, o equilíbrio, a simetria, a regularidade, a perfeição e a beleza. 
  
   Escolha um dos dez conceitos trabalhados ao longo do Módulo I (fragmentação, profusão, movimento, leveza, distorção, montagem, repetição, abstração, geometria ou sinuosidade). Vá ao CD-ROM e, utilizando a ferramenta Espaço de Pesquisa, selecione um grupo de cinco a oito obras que, na sua opinião, também possam ser relacionadas ao conceito escolhido, sem levar em conta as dez obras que já foram associadas a esse conceito no seu respectivo Bloco.
Elabore um texto, com no máximo uma lauda de extensão, sobre as obras que você selecionou, explicando como percebe as relações de cada uma com o conceito escolhido, e envie o texto ao tutor.


 
Resposta:

   A primeira obra escolhida foi do Bloco Abstração a pintura de Theo van Doesburg, intitulada “Composição XXII”, de 1920, esta obra concebida com princípios de ordem e harmonia, com poucas cores em um sistema de linhas retas.
   A segunda obra pertence ao bloco Fragmentação de autoria dos irmãos Campana, cadeira “Favela”, de 2003, cadeira construída com a justaposição de pedaços de madeira, misturando precariedade e exuberância.
   No Bloco Montagem temos a colagem “Copo e garrafa de Suze”, de Pablo Picasso - 1912, procedimento de colagem usando recortes de diferentes materiais criando um espaço plástico baseado na justaposição de planos.
   Do Bloco Movimento com Gaetano Pesce, podemos observar as poltronas “Up séries”, de 1969, poltronas com formas arredondadas de materiais sintéticos, se sobrepunham ao predomínio da sobriedade e linhas retas.
   Com Donald Judd, no Bloco Repetição em objeto sem título, de 1984, observamos uma obra construída com placas de alumínio, em cores cromáticas fazendo uma obra tridimensional.
   Quando observamos as obras artísticas, podemos perceber que foram aplicados princípios geométricos em suas construções, ou seja, idéias matemáticas estão por trás destas obras.
Propomos agora que você exercite diferentes possibilidades de interpretação dos conceitos e das obras reunidas no CD-ROM.

16 de jan. de 2012

Unidade 7

No texto “Arte e modernidade – entre fins e recomeços”, Roberto Conduru apresenta como uma das condições da arte a estrutura de “jogo”, em que, além do artista e do público, outros agentes e instâncias do sistema cultural e econômico interagem na construção dos significados de uma obra. Existe um complexo processo de significação e valoração do trabalho de arte que não se baseia apenas em dados objetivos, como as técnicas ou os meios empregados na obra: são igualmente determinantes os interesses de forças institucionais, culturais e mercadológicas.

Segundo o autor, a consciência de todas essas forças atuantes na arte é especialmente característica nos artistas desde a década de 1960, quando seus trabalhos se tornaram mais reflexivos e críticos com relação ao chamado “sistema de arte”. Diferentes estratégias artísticas passaram, então, a revelar e a testar os limites desse sistema. Uma delas foi intervir diretamente nos espaços expositivos, muitas vezes identificados com a força das instituições de arte. Tome, por exemplo, a obra “Cortes”, de Carl Andre, estudada no bloco Montagem. Procure refletir sobre a afirmação do autor de que o minimalismo teria se constituído como uma espécie de ação artística, que questionava a função cerceadora do sistema cultural.


A idéia de que a arte seria uma ação é, de fato, central para a arte contemporânea. “Cortes” mostra como os artistas passaram a se interessar cada vez mais por ocupar, modificar ou criar situações temporárias em galerias, museus e outros espaços públicos, em vez de criar objetos autônomos. O trabalho se tornava, portanto, a própria ação realizada naquele lugar, durante o período destinado à fruição pública. Negando o status do objeto (quando a obra “Cortes” é desmontada, sobram apenas tijolos e fotografias) e afirmando o valor da ação e da fruição, os artistas se opunham a valores vigentes, baseados na permanência, na unicidade e em significados instituídos.

O texto menciona trabalhos de outros artistas que funcionam contra a “lógica de domesticação” dos sistemas culturais e econômicos. A intervenção urbana de José Resende, que vimos no bloco Repetição, e a performance “I like America and America likes me” (“Eu gosto da América e a América gosta de mim”), do alemão Joseph Beuys, são duas ações artísticas em lugares públicos que procuraram transformar o “jogo da arte” em diálogos críticos com o público. No primeiro, a ação do artista altera drasticamente a paisagem, abrindo possibilidades de experiência e sentidos imprevistos em um lugar desvalorizado, esquecido. No segundo, o artista se confinou por cinco dias em uma galeria norte-americana junto com um coiote, que é um animal-símbolo dos EUA – uma declarada provocação aos valores do sistema cultural norte-americano. Pesquise mais, na Internet ou em outros materiais, sobre as ações artísticas de Beuys. Aproveite para pesquisar também o trabalho de outros artistas citados, como Richard Serra e Jenny Holzer – duas referências fundamentais para a prática contemporânea da arte como intervenção crítica em contextos públicos, sobretudo urbanos.

Ao longo do século XX a arte aprofundou a sua função crítica com relação aos sistemas de práticas e valores instituídos – sua força poética passou a estar ligada à capacidade de problematizar, questionar e testar esses sistemas. Considere, agora, a atividade criativa em seu campo profissional. Reflita sobre as forças culturais e econômicas atuantes na produção e na circulação dos objetos e imagens produzidos com essa atividade. De que maneira a criação nesse campo poderia ser uma espécie de ação crítica? Ou seja, como poderia chamar a atenção de seus usuários/clientes para as relações e valorações em que estão envolvidos, nos circuitos da cultura e do consumo? O que seria “promover diálogos críticos” com esse público?

A partir dessas reflexões, dialogue com seus colegas: o que é, do seu ponto de vista, ser reflexivo e crítico na criação profissional?

 
Resposta:
 
Partindo do pressuposto que nós olhamos, cheiramos, tocamos, ouvimos, nos movemos, experimentamos, sentimos, pensamos,..., e que o corpo é ação e pensamento, pode-se afirmar que somos um todo em relação ao mundo que nós cerca, pois precisamos interagir com o meio para que possamos construir o nosso conhecimento e fazer novas descobertas. Assim deveríamos estar atentos e abertos às experiências e ao mundo, sem medo dos riscos, viver intensamente, maravilha-se com o todo.

Neste sentido, o pensamento se dá na ação, na sensação, na percepção, através do sentimento. Através deste processo de construção e de descoberta do mundo, vamos ampliando os horizontes, sonhos e conhecimentos na relação com outras pessoas, com o mundo, com os objetos, adquirindo com isso as percepções que influenciarão toda as subseqüentes compreensões do contexto de vida.

Assim é a Arte em todo seu contexto. Pensar a arte é também pensar o processo de poetizar, fruir e conhecer Arte. Poetizar no sentido de se encantar com tudo que nos rodeia, sendo capaz de se emocionar, criar, imaginar, fantasiar. Fruir é sem dúvida nenhuma, aproveitar o momento da descoberta como se fosse único e todo seu, a única possibilidade de prazer e encantamento. Já o conhecer é algo que simplesmente se une para dar sentido e significado a tudo, seria a razão das descobertas, das vivências, das experiências, da evolução, do progresso, da transcendência. A arte é, então, pensar na leitura e produção na linguagem da arte, o que, por assim dizer, é um modo único de despertar a consciência e novos modos de sensibilidade, emoção, medos, conhecimentos.

A arte propicia o desenvolvimento do pensamento e da percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido à experiência humana. A arte solicita a visão, a escuta e os demais sentidos como portas de entrada para uma compreensão mais significativa das questões sociais, valores que governam os diferentes tipos de relações entre os indivíduos na sociedade.

Bloco Repetição

Warhol, Kosuth, Judd e Resende tratam de afirmar é que a arte está nas relações que eles criaram entre certos objetos, imagens e pessoas, e que cada espectador será capaz de vivenciar e dotar de sentido.

O que isso lhe recorda? O readymade de Marcel Duchamp, provavelmente. Afinal, este consiste justamente em um objeto industrializado, portanto produzido em série, igual a outros tantos, que a ação do artista situou como arte.
Agora reflita sobre a ação de Resende, sobre as coisas e a situação em que ele atuou. Neste fórum, debata sobre as possíveis relações e diferenças entre a obra de Resende e a obra de Duchamp; considere os materiais, as configurações, os lugares e o público envolvidos em suas respectivas ações.


Olá!
Parece que a obra de Duchamp foi mesmo capaz de estabelecer relações que alteraram significativamente o campo da arte. Prova disso é que, quase um século depois, tentamos pensar uma obra contemporânea como a de Resende a partir de alguns pressupostos estéticos já sinalizados na obra de Duchamp. Por tudo isso, penso que este debate é de extrema importância.
Bom trabalho para todos!


Resposta:
   Em Resende, temos vagões equilibrados por cabos de aço em meio a outros vagões “abandonados” num pátio ferroviário e seus arredores. Os vagões são “objetos prontos”, mas cheios de história e referências do local, da dinâmica econômica e espacial a que estavam antes inseridos. A cidade e suas múltiplas relações e abandonos são o palco e o motor da experiência vivida. Pois, se a experiência com este espaço era dominada pela pressa e indiferença dos habitantes, de repente ocorre uma quebra neste ritmo e a criação de uma nova relação com este espaço gerado pela intervenção do artista. O abandono, a melancolia, o sucateamento, a cidade em sua dimensão esmagadora e opressiva e a impotência dos indivíduos são elementos comumente discutidos em intervenções urbanas como a de Resende. Os locais são cuidadosamente escolhidos pelos artistas, pois são específicos, cheios de história, não são institucionalizados.
   Em Duchamp, o ready-made era escolhido justamente por seu desinteresse estético, por não atrair com sua aparência ou com a questão do gosto. Assim, quanto mais indiferente o objeto escolhido, maior o impacto causado às instituições Artista, Público, Museu e Marchand.